A Simulação do Processo Asséptico (SPA) — também conhecida como media fill ou preenchimento com meio de cultura — é uma das ferramentas mais importantes para verificar a eficácia dos controles em vigor para o processamento asséptico de produtos farmacêuticos estéreis. O PIC/S Annex 1 Revisado dedica os itens 9.32 a 9.49 inteiramente à SPA, estabelecendo requisitos detalhados para seu planejamento, execução, critérios de aceitação e ações em caso de falha.
O que é a Simulação do Processo Asséptico?
A SPA substitui o produto real por um meio de cultura nutritivo estéril durante uma execução de fabricação que replica, da forma mais fiel possível, todo o processo asséptico real. Os recipientes preenchidos com meio de cultura são incubados e inspecionados para detectar crescimento microbiano. Qualquer unidade contaminada indica falha no controle asséptico. O objetivo deve ser zero crescimento — qualquer unidade contaminada resulta em falha da SPA e exige investigação.
Quando a SPA deve ser realizada?
O PIC/S Annex 1 define as situações que exigem realização de SPA:
- Validação inicial: pelo menos três testes consecutivos satisfatórios, cobrindo todos os turnos de trabalho em que o processo asséptico possa ocorrer
- Revalidação periódica: normalmente duas vezes por ano (aproximadamente a cada seis meses) para cada processo asséptico, cada linha de enchimento e cada turno
- Após modificações significativas: mudanças no sistema HVAC, equipamentos, processos, número de turnos ou operadores, grandes desativações da instalação
- Por operador: cada operador deve participar de pelo menos uma SPA bem-sucedida anualmente. Para operações manuais, cada operador deve participar de pelo menos 3 SPAs consecutivas bem-sucedidas na validação inicial e revalidação aproximadamente a cada 6 meses
O que a SPA deve incluir?
O Annex 1 é detalhado sobre o que deve ser simulado: todas as operações assépticas realizadas após os ciclos de esterilização até o ponto em que o recipiente é selado, incluindo montagem asséptica, reposição de recipientes e componentes, intervenções inerentes e corretivas representativas do processo de rotina, situações de pior caso, trocas de turno e, para produtos liofilizados, todo o ciclo de carregamento, permanência na câmara e descarregamento. O número mínimo de unidades é tipicamente 5.000 a 10.000 unidades por execução.
Sistemas computadorizados na SPA
O registro das SPAs — intervenções realizadas, horários, operadores envolvidos, dados de monitoramento ambiental e resultados de incubação — é tipicamente gerenciado em sistemas computadorizados (BRS/Batch Record Systems ou sistemas de gestão de qualidade). Esses sistemas precisam ser validados conforme a RDC 658/22, com trilha de auditoria que garanta a rastreabilidade de todos os dados gerados durante a SPA. O Annex 1 determina que todas as intervenções realizadas durante a SPA devem ser registradas, incluindo horário de início e término de cada intervenção e a pessoa envolvida.
O que fazer em caso de falha na SPA?
O PIC/S Annex 1 estabelece um protocolo claro para falhas: investigação para determinar causa raiz, implementação de ações corretivas, realização de no mínimo 3 repetições consecutivas bem-sucedidas para demonstrar retorno ao controle, revisão imediata de todos os registros de produção asséptica desde a última SPA bem-sucedida, quarentena de todos os produtos fabricados na linha após a falha, e retomada da produção apenas após revalidação bem-sucedida.
Como a One Consultoria pode ajudar
A One Consultoria Regulatória apoia fabricantes de produtos estéreis no planejamento e execução de Simulações do Processo Asséptico, incluindo elaboração do plano de SPA, definição das condições de pior caso, apoio na execução e validação dos sistemas computadorizados de registro. Entre em contato para uma avaliação inicial gratuita.
